Intercâmbio: aprendizados para uma vida…

Intercâmbio devia ser uma “parada obrigatória” pra todo mundo. Acho que é essencial e muda completamente o rumo de vida da pessoa. Não importa se você esta fazendo com 20 anos ou se está fazendo aos 30 ou 50. Só acho que dependendo da época que está fazendo as percepções mudam, mas não os valores.

Fazer intercâmbio é muito mais do que apenas morar em outro país e ir para a balada, pois é, muita gente acha que é isso. Que tudo é fácil, que é só ir a escola durante o dia e passear os finais de semana. Está enganado quem acha isso… São incontáveis os aprendizados do intercâmbio

Então vamos lá, por que fazer e quais os aprendizados do intercâmbio?

  • Porque você aprende a lidar com a emoções por estar longe de toda sua família e amigos, e também a dar mais valor quando estiver por perto.
  • Porque além de aprender outra língua e outra cultura, você aprende a se virar em todos os sentidos. Na hora de procurar um emprego, na hora de ir num banco resolver algum problema. Tive uma amiga que perdeu o passaporte na semana de voltar para o Brasil e teve que atravessar a Nova Zelândia inteira pra resolver e estar aqui para passar o Natal com a família. Você aprende a não depender de ninguém, pois está sozinho, e só você pode se ajudar.

É sentir orgulho de si mesmo, vendo que a sua capacidade vai além do que imaginava ir!

É escutar crítica de amigos e familiares por estar “largando tudo” e indo embora por um tempo. Sim, eu ouvi bastante também por estar deixando meu noivo na época sozinho por 5 meses. Mas ele foi o primeiro a me apoiar e incentivar a realizar o meu sonho e como ele mesmo disse na época: “O amor é apoiar e ajudar e não ser egoísta”. E nessas horas você descobre muitos amigos que nem imaginava ter e recebe tanto carinho que nem espera.

É pegar o livro da sua vida e mudar a história no meio do caminho, fazendo novos amigos, novas descobertas, até mesmo de sentimentos. Eu era capaz de sentir uns 4/5 sentimentos na mesma hora ou no mesmo dia. É se conhecer também e saber seus limites.

Como foi meu primeiro mês ?

Engraçado ou não, mas meu primeiro mês foi bem traumático. Mas, tirei um inglês que nem eu sabia que tinha para poder brigar/questionar e resolver os problemas, vou citar dois exemplos.

Aprendendo a brigar em inglês…

O primeiro e o que mais me deixou chateada, foi que o hostel que eu estava morando colocou a data que eu iria trocar de quarto numa sexta, quando na verdade era no sábado. Pois na sexta eu estaria na escola e não teria como fazer a troca. Quando cheguei da escola no final do dia, eu estava subindo para o meu quarto quando a recepção me chamou, dizendo que tinham feito a troca do quarto por mim. Ou seja, a “tia da limpeza” pegou todas as minhas coisas, guardou de qualquer jeito na mala e levou para a recepção e me colocaram num quarto compartilhado com mais 4 pessoas por uma semana. Isso no dia que eu completei 1 mês lá.

Não sou uma pessoa de brigar, mas aquele dia a recepcionista ouviu tudo o que quis e o que não quis e ainda mandei um e-mail enorme para a escola reclamando, pois as reservas eram feitas por eles. Na segunda quando cheguei na escola, a primeira coisa que fizeram, foi me chamar para pedir desculpas, estavam muito sem graça e mais tarde o hostel deixou uma carta embaixo da porta do meu quarto se desculpando e me deram uns dias de wi-fi gratuito.

E o que eu ganhei com isso?

Novas amigas, que são amigas até hoje, antes eu ficava num quarto sozinha. Essa semana no compartilhado conhecia gente nova todos os dias, inclusive uma chinesa que nunca tinha ouvido falar do Brasil ( estranho rs ).

Enfim, esse foi um dos primeiros aprendizados do intercâmbio… 🙂

Quebrando tudo!

Segundo, fui parar no hospital com um dedo quase quebrado no primeiro mês, porque a porta automática fez questão de fechar nele. Minha unha caiu na semana que voltei para o Brasil, foram 5 meses com o dedo inchado e roxo. Cheguei no hospital e não conseguia nem preencher a ficha, ainda por cima foi o dedo da mão direita e eu sou destra. Um amigo que me acompanhou ao hospital, preencheu minha ficha e explicou ao médico, porque não estava conseguindo nem falar de tanta dor e pressão baixa.

Foi um mês intenso, mas poderia relatar milhares de outras historias, mas dessa vez engraçada que me aconteceram no primeiro mês. Mas essas ficam para um próximo post…

Não perca grandes oportunidades por medo

Cruz Vermelha na Nova Zelândia - New Zealand Red Cross Shop
Cruz Vermelha na Nova Zelândia – New Zealand Red Cross Shop

Bom, vamos ao meu único arrependimento no intercâmbio… E espero que usem isso como exemplo para não fazerem igual.

Cheguei em Auckland (Nova Zelândia) num sábado, segunda já era meu primeiro dia de aula, ou seja, ainda estava com inglês daquele jeito, ruim. Na terça, fui numa lanchonete com alguns amigos depois da escola para comer hambúrguer. E adivinhem? Tinha uma placa precisando de gente para trabalhar, era tudo o que eu queria. Então comi e logo depois fui até o caixa falar com o gerente sobre a vaga. E o horário não me atrapalharia porque seria depois da escola até de noite.

Falei pro gerente da lanchonete que tinha acabado de chegar para estudar e que queria uma oportunidade de trabalho. Ele me fez mais algumas perguntas, como de onde eu era, se já havia tido alguma experiência em lanchonete, essas coisa. Expliquei inclusive que ainda não tinha feito um currículo, mas que já estava providenciando também. Ele finalizou a conversa dizendo que o meu inglês não estava muito bom para o que eu tinha que fazer, que seria tirar os pedidos dos clientes, levar nas mesas e também ficar no caixa. Mas que tinha gostado de mim, e que era para eu ir no dia seguinte depois da escola fazer um teste.

Sai contente da lanchonete, mas claro, com medo…

Medo de não entender o trabalho direito, de não entender os clientes direito, medo de não me dedicar direito a escola como deveria por estar cansada do trabalho e fiquei na dúvida até o dia seguinte pensando se eu iria ou não.

Resumindo, não fui e me arrependo até hoje. Não apareci lá e não tive mais coragem de voltar e comer na lanchonete por um tempo. Tinha decidido que seria melhor estudar bastante no primeiro mês e depois voltaria a procurar emprego.

Depois de três meses eu voltei lá e ele me reconheceu, conversamos um pouco, ele disse que meu inglês tinha melhorado muito e que até tinha uma vaga para trabalhar lá, mas seria no horário de aula. Então, não deu mais e eu acabei indo trabalhar como voluntária na Cruz Vermelha de Auckland. A experiência foi ótima também.

Portanto…

…um dos meus principais aprendizados do intercâmbio e meu conselho é: se aparecer alguma oportunidade, não percam a chance de ir , pois o intercambio é um desafio diário e você está lá para isso. A mesma oportunidade não bate duas vezes na porta. Você só tem que estar pronto para abrir a porta.

Mais sobre esta viagem...

  • Caroline Faki

    Adorei! Gosto muito do tom que coloca na leitura, fica fácil e leve, consegue nos transmitir a sensação que vivenciou. Super bacana! 🙂

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