A parte mais difícil de um intercambio… A volta!

Apesar de toda ansiedade e insegurança da ida, certamente a volta do intercâmbio é a parte mais difícil. Será que tudo mudou ou continua exatamente igual? Será que consigo emprego, será que meus amigos ainda gostam de mim? E isso tudo é só uma parte das perguntas…

Depois de 5 meses morando em Auckland (Nova Zelândia), posso afirmar que a volta do  intercambio é muito difícil. Ninguém normalmente fala sobre como elas se sentem depois de um longo tempo fora de casa. As pessoas apenas contam sobre como foi a viagem em si, a cidade, a escola, a cultura e outras coisas interessantes. Não está errado, pois é justamente o que as pessoas tem interesse em saber… como é viver/estar em outro lugar por bastante tempo.

Nesse artigo eu vou contar para vocês o outro lado que ninguém sabe: o mix de sentimentos que é voltar pra casa e isso já começa ao arrumar as malas.

Digo isso porque no ultimo mês, eu não via a hora de voltar pra casa, ver minha família e amigos, parar de compartilhar cozinha e banheiro com pessoas estranhas…. Ou mesmo ouvir o barulho da maquina de lavar da lavanderia todos os dias as 6 manha, ave! Sim! A lavanderia ficava no corredor do meu quarto, mais precisamente na frente dele!

Quando entrou na última semana, já começou a bater a nostalgia de ir embora de um lugar que me apeguei tanto, que fiz grandes amigos e ainda tenho contato. Eu não queria ir embora, chorei na minha despedida, na noite anterior e enquanto arrumava a mala já pensando em como seria estar na minha rotina de volta.

Será que eu estava preparada pra ela? Pensando na cobrança que eu poderia ter em relação ao meu inglês. Me preocupei com o que as pessoas pensariam em relação ao meu inglês caso eu errasse algo. Não queria ouvir coisa do tipo: “Nossa, ela morou 5 meses fora e não sabe falar “tal”palavra”ou “que pronuncia é essa pelo amor de Deus”.

É besteira, sim é besteira, mas tudo isso passava na minha cabeça na ultima noite!

Comparação entre lugares: não faca isso!

Vista de Auckland, na Nova Zelândia - Arquivo Pessoal Carla Faki
Vista de Auckland, na Nova Zelândia – Arquivo Pessoal Carla Faki

Isso acaba sendo muito comum quando você volta do intercâmbio de algum lugar que é muito diferente do seu país de origem, comparar tudo o tempo todo. Acredite, isso é pior e faz com que sua adaptação de volta demore mais.

Comparar a educação das pessoas, os hábitos e costumes, situações que acontecem no dia-a-dia ou mesmo comparar as pessoas que você conheceu lá com as pessoas daqui.

Isso é péssimo e seus amigos/família também não vão gostar disso. Já foi, já passou, aceite que são lugares diferentes, serviu de experiência. Digo isso, porque eu mesma fiz isso e não foi legal. Você acaba lembrando o tempo todo do passado (que não volta mais) e não vive direito o presente.

Como é a volta pra casa?

Quando você passa um longo tempo fora de casa, você cria uma nova rotina, procura fazer novos amigos, procura um novo emprego, mas essa não é a sua vida real, é apenas temporário, você terá que voltar um dia para casa. Isso pode ser em um mês, seis meses ou até mesmo em um ano, mas terá que voltar.

Então, depois desses meses, você está de volta do intercâmbio e isso será um desafio para você mesmo. Terá que começar tudo novamente, se adaptar com tudo e todos. Mas você se sente diferente, suas idéias mudaram, você enxerga o mundo de uma maneira diferente… Tem outras prioridades, seus valores mudaram, e você quer fazer algo diferente mas não necessariamente sabe o que pode ser.

Entretanto, seus amigos e familiares não mudaram, continuaram com a rotina aqui. Nada de novo aconteceu e você se sente perdido, não se sente mais como se estivesse em casa, e isso é estranho porque você viveu intensamente cada dia, muitas descobertas ao mesmo tempo… No intercambio cada dia é uma novidade.

Será que algo mudou na volta?

Primeiro de tudo, você se sente feliz em estar em casa, em encontrar seus amigos e família, mas depois percebe que os problemas de antes continuam iguais. Não só os problemas pessoais, mas os problemas do seu país (politica, educação, saúde) , isso é muito triste e desesperador.

Em segundo lugar, você irá procurar emprego novamente e isso não será um desafio como seria em outro país, em falar outra língua ou mesmo fazer algo novo. Depois de um tempo vivendo sua vida, irá perceber que a mesma rotina voltou, tudo é, infelizmente, como era antes.

E todos os dias ao acordar, a primeira coisa que irá pensar será: eu quero viajar de novo, eu quero conhecer novas pessoas, eu quero continuar falando em outra língua, eu quero aprender alguma coisa nova  e não importa o que será!

Então, o que você está esperando? Qual é o melhor jeito para mudarmos esse sentimento?

Talvez continuar viajando pelo mundo seja o único jeito, então aproveite e viaje! 🙂

 

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